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id da página: 5668 Suárez Natureza e Pessoa

Suárez Natureza e Pessoa

Francisco Suárez — Disputationes metaphysicae

NATUREZA E PESSOA

Uma vez explicados os termos, convém falar da coisa mesma, e o que procuramos acerca do suposto relativamente à natureza ou essência substancial se o deve entender da pessoa relativamente à natureza racional, e dos demais na mesma proporção, quaisquer que sejam os nomes com que se signifiquem. (...)

Há que advertir que a essência da substância criada se pode significar e conceber de vários modos, a saber, em concreto e em abstrato, como quando dizemos que a humanidade é a essência de Pedro, ou o homem. Do mesmo modo, em comum, como nos exemplos mencionados, ou em singular, como quando se diz que esta humanidade é da essência deste homem, por exemplo, de Cristo. Igualmente, ou em um conceito simples e como que confuso, como quando se diz que a espécie é a essência do indivíduo — como o homem de Pedro —, ou em um conceito complexo e distinto, que se declara mediante a definição, como quando dizemos que a essência do homem é animal racional. Destes modos de conceber surgem várias comparações e questões. A primeira é a do abstrato ao concreto no particular e singular, por exemplo, como se pode distinguir este homem Pedro desta humanidade. (...)

. . . Destas razões se colige, pois, a resolução da seção presente, que sem dúvida o suposto criado acrescenta à natureza criada algo real positivo e distinto dela na mesma realidade. Por isto, se comparamos o suposto com a natureza, se distinguem como o incluente e o incluído, pois o suposto inclui a natureza e lhe acrescenta algo, que se pode chamar personalidade, supositalidade ou subsistência criada, e a natureza, no entanto, por si, prescinde desta adição, ou seja da subsistência. Pelo que acontece que a natureza pode conservar-se pela potência absoluta sem subsistência, mas não pode conservar-se todo o suposto sem natureza, porque a inclui formalmente e se constitui essencialmente por ela no ser de tal substância. Mas comparando a subsistência mesma com a natureza, se con-distinguem entre si como dois extremos que compõem o suposto criado.